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Doenças inflamatórias intestinais exigem alimentação individualizada para controle dos sintomas

Especialistas destacam a importância da orientação nutricional para preservar o estado nutricional e melhorar a qualidade de vida de pacientes com Crohn e retocolite ulcerativa

19/08/2026 18h56
Por: Redação EB
Alimentação precisa ser entendida como parte do tratamento, mas de forma individualizada (Imagem Magnific)
Alimentação precisa ser entendida como parte do tratamento, mas de forma individualizada (Imagem Magnific)

As doenças inflamatórias intestinais (DIIs), como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, exigem acompanhamento médico e nutricional contínuo. Embora a alimentação não seja considerada a causa única nem substitua o tratamento dessas doenças crônicas, escolhas alimentares adequadas podem ajudar no controle dos sintomas, na manutenção do estado nutricional e na qualidade de vida dos pacientes.

Com a proximidade do Dia do Nutricionista, celebrado em 31 de agosto, especialistas reforçam que não existe uma dieta única indicada para todas as pessoas com DII. A alimentação deve ser adaptada ao quadro clínico, aos sintomas apresentados e às necessidades nutricionais de cada paciente.

Segundo a gastroenterologista Genoile Santana, da Cliagen (Grupo CITA), a alimentação deve fazer parte do cuidado, mas sempre de maneira individualizada.

“A alimentação precisa ser entendida como parte do tratamento, mas de forma individualizada. Não existe uma receita única para todos os pacientes com DIIs e as escolhas alimentares devem considerar o momento da doença, os sintomas e as necessidades nutricionais de cada pessoa”, explica.

Alimentação muda conforme a fase da doença

Durante os períodos em que a doença está controlada, especialistas recomendam uma alimentação equilibrada e variada, com frutas, vegetais, carboidratos complexos, proteínas magras e gorduras monoinsaturadas. Também é indicado reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e o excesso de açúcar e sal.

Em períodos de crise ou diante de determinadas complicações, como estreitamentos intestinais, a alimentação pode precisar de adaptações específicas, inclusive em relação à quantidade e à textura das fibras.

A nutricionista Aline Pereira, que atua na área de gastropediatria na Cliagen, alerta para os riscos de retirar alimentos por conta própria.

“Restringir alimentos por conta própria pode aumentar o risco de deficiências nutricionais e até de perda de peso. O ideal é identificar individualmente o que desencadeia ou piora os sintomas, sem transformar a alimentação em uma lista permanente de proibições”, orienta.

Acompanhamento ajuda a evitar deficiências nutricionais

Sintomas como diarreia, dor abdominal, distensão, falta de apetite e perda de peso podem fazer com que o paciente reduza cada vez mais a variedade de alimentos consumidos. Por isso, o acompanhamento conjunto entre gastroenterologista e nutricionista é importante para controlar os sintomas e evitar perda de massa muscular e desnutrição.

De acordo com Aline Pereira, o objetivo do acompanhamento nutricional não é simplesmente retirar alimentos da rotina do paciente, mas garantir que ele continue recebendo os nutrientes necessários.

“O objetivo não é simplesmente retirar alimentos, mas garantir que o paciente continue recebendo energia, proteínas, vitaminas e minerais suficientes para o organismo funcionar adequadamente”, afirma.

A especialista também destaca a importância da avaliação de possíveis deficiências de ferro e vitamina D. A vitamina B12 merece atenção especialmente em pacientes com comprometimento ou que tenham passado por cirurgia no íleo.

Em casos específicos de Doença de Crohn, estratégias nutricionais terapêuticas, como a nutrição enteral exclusiva ou determinadas dietas de exclusão, podem ser utilizadas, mas precisam ser conduzidas por profissionais especializados.

Dietas restritivas devem ser evitadas sem orientação

Para Genoile Santana, pessoas diagnosticadas com doenças inflamatórias intestinais devem evitar seguir dietas encontradas na internet sem acompanhamento profissional.

“A alimentação pode ser uma importante aliada, mas não substitui o tratamento médico. O paciente deve manter o acompanhamento regular e comunicar ao médico e ao nutricionista qualquer mudança importante nos sintomas, perda de peso ou dificuldade para se alimentar”, destaca.

A orientação individualizada ganha ainda mais importância porque a resposta aos alimentos pode variar de uma pessoa para outra e também de acordo com a fase da doença.

O Dia do Nutricionista, celebrado em 31 de agosto, reforça a importância desse profissional no acompanhamento de pacientes que precisam de estratégias alimentares específicas para preservar a saúde e a qualidade de vida.

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